A importância do louvor na vida do povo de Deus

Estudo Bíblico sobre: “A importância do louvor na vida do povo de Deus”

 

A importância do louvor na vida do povo de Deus

Referência: Neemias 12.1-47

INTRODUÇÃO

Em 444 a.C., Neemias levantou os muros de Jerusalém; em 1989 ciau o muro de Berlim. O muro de Berlim era um símbolo da separação e da morte; o muro de Jerusalém de proteção, união e vida. Os muros representam a unidasde de Jerusalém: é uma só cidasde, um só povo.

Uma grande festa espiritual aconteceu na dedicação dos muros de Jerusalém. Algumas lições importantes podemos tirar, à guisa de introdução deste texto:

1. Devemos celebrar louvores a Deus pelas nossas vitórias (12:27) – Jerusalém vivera mais de cem anos debaixo de escombros. Agora, a cidade foi restaurada, os muros foram reconstruídos e o povo celebra com grande e intenso júbilo essa conquista. Precisamos celebrar com grande júbilo as nossas conquistas.

2. Devemos celebrar louvores a Deus com união entre os irmãos (12:27-29,43) – Todos os sacerdotes, levitas e cantores deveriam vir de todos os lugares para a grande celebração. A liderança unida, trouxe alegria entre todo o povo (12:43). A união do povo de Deus já grande causa de alegria e símbolo de vitória. Naquela festa os líderes e o todo celebraram ao Senhor.

3. Devemos celebrar louvores a Deus com grande alegria (12:27,43) – A alegria é uma das marcas do povo de Deus. A alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8:10). As celebrações do povo de Deus precisam ser festivas e cheias de grande júbilo.

4. Devemos celebrar louvores a Deus com vidas puras (12:30) – Os sacerdotes e os levitas se purificaram e purificaram o povo. Devemos chegar diante de Deus com vidas limpas e levantar mãos santas. Jamais poderá haver louvor e adoração se não houver dedicação de vidas ao Senhor. Somos uma nação de levitas e sacerdotes chamados para a adoração (1 Pe 2:9).

5. Devemos celebrar louvores a Deus com ordem e arte (12:8,9,24,27,36,42) – Os levitas eram encarregados de celebrar. Dentre eles haviam os cantores, os instrumentistas, os compositores, bem como o regente. Tudo é feito com arte e com ordem. Os netofatitas (v. 28) eram os compositores. Netofatitas = gotejante ou destilar como gotas de orvalho = falar por inspiração. Eles eram poetas, os compositores. Eles tinham uma grande contribuição na restauração do louvor na casa de Deus.

6. Devemos celebrar louvores a Deus com a fidelidade das nossas ofertas (12:44-47) – Há uma conexão entre os lábios e o bolso. Louvamos a Deus com os nossos lábios e honramos a Deus com as primícias de toda a nossa renda.

Qual é o caminho a percorrer para o perfeito louvor e adoração? O caminho percorrido pelos coros, pelos instrumentistas e pelos músicos sugerem-nos muitas lições espirituais. Vejamos:

I. A PORTA DO MONTURO – v. 31 (quebrantamento)

Os grupos de louvor e adoração começam a caminhada sobre os muros pela Porta do Monturo. Monturo no hebraico = ruínas, lugar onde se amontoam os lixos da cidade.

Espiritualmente este texto fala da miséria do homem. Somos pecadores. Precisamos nos humilhar. Antes de louvarmos temos que passar pela Porta do Monturo, do quebrantamento, da humilhação, da convicção de pecado, da confissão.

É ali que reconhecemos que somos pó e precisamos da misericórdia de Deus. É ali o lugar do exame, onde despojamos-nos de qualquer pretensa vaidade e nos humilhamos sob a poderosa mão de Deus.

É ali que somos confrontados com o mal que há em nós. É ali que podemos clamar como Davi: “Deus tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama… e pôs nos meus lábios um novo cântico…” (Sl 42:2-3).

II. A PORTA DA FONTE – v. 37 (novo nascimento)

A fonte é um lugar onde a água brota. É um manancial.

Deus é esse manancial: a) Jr 2:13: “A mim me deixaram, o manancial de águas vivas”; b) Jo 4:14: “A água que eu lhe der será nele uma fonte”.

Depois da Porta do Monturo, passamos pela Porta da Fonte. Essa é a porta do Novo Nascimento.

Essa é a porta onde bebemos constantemente de Jesus, a água da vida. Todo o que vem a Jerusalém, à igreja, precisa experimentar o novo nascimento, precisa beber de Jesus e ter a fonte jorrando em si memso. Jesus disse: “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3:5).

Nenhum músico, nenhum adorador pode estar diante de Deus sem passar por esse portal. Deus é a fonte, Cristo é a água da vida e o Espírito Santo são os rios de água viva que fluem do interior. Essa fonte precisa jorrar de dentro de você e então, o louvor brotará de seu coração e se esparramará através de seus lábios.

III. A PORTA DAS ÁGUAS – v. 37 (enchimento do Espírito)

Enquanto a Porta da Fonte fala do lugar onde brotam águas; a Porta das Águas fala de correntes, rio que leva aos mananciais das águas. Não é uma fonte de onde emana água, mas um llugar de águas correntes.

Esse é um símbolo do enchimento do Espírito Santo. Exemplo: A igreja Presbiteriana de Onuri (Seul).

A Porta das Águas tem a ver com o enchimento constante do Espírito na vida do cristão. É vital que todos os dias nos banhemos nas águas que correm do trono de Deus, antes de nos colocarmos diante dele em adoração e louvor.

As pessoas que ministram e celebram o louvor precisam deixar aqui na Porta das Águas tudo que é carnal e toda motivação egoísta e buscar a plenitude do Espírito Santo.

IV. A TORRE DOS FORNOS – v. 38 (purificação)

Para a restauração da vida de louvor e adoração na igreja é necessária a passagem pelo fogo. Não somente a confissão de pecados na Porta do Monturo, o beber de Cristo na Porta da Fonte e a santificação na Porta das Águas, mas também precisamos passar pela Torre dos Fornos.

Na Torre dos Fornos sentimos o cheiro de coisas que se queimam. Nessa torre tudo é queimado. Nessa torre o fogo de Deus queima todo o entulho, todo lixo, toda impureza. Nessa torre somos batizados com fogo.

Assim como Isaías foi purificado por uma brasa viva que tocou seus lábios, aqui Deus nos purifica, nos limpa e tira de nós toda escória.

Deus quer conduzir cada músico, cada cantor e cada adorador até à Torre dos Fornos para purificá-lo. Nenhuma impureza pode ficar. Seremos acrisolados no fogo de Deus e então seremos sacerdotes e levitas santos para o louvor de Deus.

V. O MURO LARGO – v. 38 (exultação)

Largo – que leva em todas as direções. Lugar espaçoso, em que não há aperto.

À medida que as coisas andam sobre o muro e passam pelas portas e pela torre, vão chegando ao muro largo. Na vida de louvor da igreja, na restauração dos louvores e na adoração a Deus, encontramos o lugar da liberdade em Cristo.

O culto não é engessado por formas rígidas, inflexível por liturgias frias e sem condução do Espírito. Há espaço para alegria e exultação no Espírito. Há espaço para o choro e o quebrantamento. Há espaço para a alegria e para o gemido de dor. O ritualismo deixa de existir.

O culto frio cede lugar a um culto participativo, alegre, jubiloso, envolvendo todos os remidos do Senhor. Não é culto do homem para o homem. Não é show. Não se prioriza a forma, mas a consagração da vida ao Senhor.

VI. A PORTA DE EFRAIM – v. 39 (produção de frutos)

De acordo com Gn 41:52 Efraim quer dizer: “duplamente frutífero”.

Temos aqui um marco da nossa dupla frutificação em Cristo. O louvor produz frutos na vida da igreja. O povo de Deus precisa descobrir que o louvor, a adoração e a ministração ao Senhor são tão importantes no culto quanto a Palavra.

O louvor deve ser resultado da vida frutífera da igreja. As pessoas louvam e adoram porque têm vida e não porque há um bloco de louvor e outro de pregação. Louvor sem vida é barulho intolerável aos ouvidos de Deus (Am 5:20-21).

A igreja cresce no louvor. A música tem o poder de trazer quebrantamento (Sl 40:3).

VII. A PORTA VELHA – v. 39 (experiência)

Porta Velha = veterana, experimentada. A Porta Velha fala de experiência. Uma porta que presenciara lutas, vitórias. Teria resistido ao poder e à queda de reis. Gerações passaram e a Porta Velha adquiriu experiência e sabedoria.

Essa porta pode significar muito a respeito da experiência da restauração dos hinos antigos na vida da igreja. Temos a tendência de nos apegar somente ao novo. Mas há elementos do passado que não podem ser jogados fora. Há hinos e cânticos antigos que precisam ser ensinados aos filhos, aos jovens e perpetuados às gerações.

Nesta marcha de louvores sobre os muros de Jerusalém, a Porta Velha restaura o que de bom e melhor Deus preservou no decorrer dos séculos. Na Porta Velha dobramo-nos ao Senhor da igreja e restauramos as veredas antigas.

Estejamos sempre abertos ao que é novo sem contudo, abandonar a herança de Deus para a igreja.

VIII. A PORTA DO PEIXE – v. 39 (crescimento numérico)

Peixe no Novo Testamento está ligado à vocação. Aparece ligado ao chamamento dos discípulos (Lc 5; Jo 21).

Assim como o peixe tem a capacidade de alta reprodutividade, somos chamados também a produzirmos muito fruto.

O louvor além de trazer a bênção dobrada à igreja como na Porta de Efraim, leva a igreja ao crescimento numérico na Porta do Peixe. A igreja que louva e adora cresce rapidamente. O louvor cativa os homens. Traz os jovens para Deus. Atrai as pessoas para o Reino e as leva a um confronto diante das exigências da Palavra. Muitas pessoas foram ganhas para Jesus pelo louvor.

Uma congregação que louva verdadeiramente produzirá mutiios frutos (Sl 40:3).

IX. A TORRE DE HANANEEL – v. 39 (a graça e a misericórdia de Deus)

Essa Torre fala da graça e da misericórdia de Deus. Nessa caminhada do louvor, temos de confessar que somente pela graça é que somos capacitados a andar juntos.

Não há ministério mais atacado pelo diabo na igreja que o ministério de louvor. Aí surgem as maiores polêmicas, os maiores atritos, os maiores descontentamentos, as maiores divisões.

O diabo não gosta de ver o povo de Deus louvando e tributando vitória ao Senhor, por isso ele ataca os corais, os conjuntos e a música na igreja.

Muitas vezes somos tentados a desanimar ao ver nossos esforços fragmentados. Mas essa torre é um lugar de parada, de reflexão. Precisamos recobrar o ânimo e saber que a misericórdia de Deus deve ser nossa motivação para o louvor.

Devemos cantar sempre: “Foi graça, graça, superabundante graça. Foi só pela graça de Jesus que venci e cheguei aqui.”

X. A TORRE DOS CEM – v. 39 (a Palavra de Deus)

Esta palavra é a mesma de Gn 26:12 que fala da multiplicação dos graos, alimento para o homem. “…porque o Senhor o abençoava”. A multiplicação é associada à bênção do Senhor”.

O que dizer sobre a Torre dos Cem? O louvor que deve ser cantado na igreja deve ser baseado na Palavra de Deus, que é alimento para o homem. Nessa base, a Palavra de Deus traz sua bênção à vida de louvor da igreja.

Há muita música e muito cântico no meio evangélico que são mera história de homens, apelos, emoções, sem qualquer base na Palavra. Cantar a Palavra ou cantar segundo a Palavra é que produz frutos dignos de Deus.

Na Torre dos Cem encontramos a Palavra de Deus produzindo a cem por um. É uma Plavra que não só reproduz-se em nosso interior, mas também frutifica na vida da igreja. Leva-nos de volta à Palavra.

Louvor é a Palavra fluindo na reunião da igreja. É a pregação cantada pelo povo de Deus. Cantar textos inspirados por Deus é levar a Palavra a multiplicar-se nas vidas.

XI. A PORTA DO GADO – v. 39 (rebanho de Deus)

Este texto fala da igreja como rebanho de Deus. Todos nós temos que estar sob o comandando da sua vara e de seu cajado (Sl 23:4). Nenhuma pessoa pode louvar e adorar sem que sua vida esteja totalmente submissa ao cajado e à vara de Deus.

É uma pessoa que sente o amor, a proteção, o cuidado, a correção. Sabe que é tratada quando vacila ou incorre em desobediência.

Louvamos a Deus não como bastardos, como filhos que são disiciplinados. A Porta das Ovelhas é o lugar onde nós nos colocamos sob o governo e a ordem do Supremo Pastor.

XII. A PORTA DA GUARDA – v. 39 (passados em revista)

Porta da Guarda fala de inspeção, vigilância, juízo. Traz a idéia de registro e inspeção. Este é o lugar onde somos passados em revista. Esta é uma parada obrigatória para todos. Aqui os dois coros encontram-se antes de descer à Casa de Deus.

Aqui alguns ficam retidos por não apresentarem as condições exigidas. É feita uma inspeção para avaliar a condição espiritual de cada adorador.

Para entrar em comunhão com Deus, na Casa de Deus, é preciso examinar a própria vida (Sl 15).

Somente os aprovados entrarão na intimidade de Deus. É preciso passasr pelo exame de Deus. Deus olha para o coração. Deus exige consagração, verdade no íntimo.

É preciso um exame de consciência. Deus quer que nossa vida seja sondada e só então, vamos entrar no santo dos santos da adoração. Só então vamos entrar para adorar verdadeiramente.

Sem pasar por estes passos, nosso louvor não agrada a Deus. É preciso restaurar o lovuor do Senhor. É preciso entrar na Casa de Deus e ter prazer no seu altar. Casa de Deus é mais do que o templo. Somos a morada de Deus. Deus glorificar a Deus no nosso corpo.

CONCLUSÃO

Quando o povo de Deus se consagra:

a) Deus os alegra – v. 43

b) Há integração no louvor – v. 43

c) A alegria do povo de Deus torna-se contagiante – v. 43

d) Os dízimos são devolvidos, os ministros do templo são reintegrados na obra e a igreja se enche de santa alegria – v. 44

Implicações:

a) Os ministros se tornaram mais cuidadosos do que tinham sido na obra – v. 45

b) O povo se tornou mais cuidadoso do que tinham sido na manutenção dos ministros de Deus – v. 44.

Fonte: Hernandes Dias Lopes

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